domingo, 6 de junho de 2010

Dos males, o maior

foto de ellen von unwerth

- Entrei numa enrascada, Marisa.
- Em outra?
- Você viu quem está nas páginas policiais de hoje?
- Vocêêê de novo, amiga?
- Não, deus me livre, Marisa. Eu já deixei de fazer loucuras, não percebeu a mudança?
- Ah, é verdade... há quase uma semana não fico sabendo de nada novo dos seus disparates, Olga.
- É, amiga. Mudei de vida.
- Mas me diga então quem é que está no jornal.
- O Reinaldão, cara!
- Ah, não posso acreditar, Olga. Era o cara perfeito! Só pode ser injustiça.
- Será? Eu emprestei todo o meu dinheiro a ele.
- Putaquepariu, Olga... teu sossego tava muito suspeito mesmo, hein.
- Tô com um pressentimento...
- Ah, o cara nem deve ser tão mau assim. Vai te pagar, amiga, ele conhece teu passado, vai ficar com medo.
- Ai, Marisa...
- Diz aí o que ele fez, aposto que não foi nada demais.
- Um monte de coisa ruim...
- Ah, eu acho bom você ficar quietinha e esquecer essa história, pois esse cara anda te deixando na linha. Eu não quero mais viver te salvando das tuas loucuras, Olga.
- Credo, Marisa. Isso porque você é minha amiga... aqui diz até que ele espancou a mulher...
- Olga do céu!
- Peraí! Espancou a mulher? Como pude me apaixonar por um cara desses? Bêbado, ladrão, mentiroso e ainda bateu na mulher!
- Ah, não! Se é casado é melhor largar.


Samantha Abreu

3 comentários:

Pedro Du Bois disse...

Mais das vezes o controle apenas contém insanidades ainda não suficientementes maduras para serem lançadas à rua. E a insanidade, sabemos, reflete e relata o lado não acontecido por motivos parcos e mesquinhos. Difícil escolher o lado, se desde pequenos somos instados a pertencer ao passo certo. Talvez alguns sejam mais incentivados enquanto crianças: a cair, a sair, a descobrir-se. Diálogo ágil e não caricato. Gostei. Abraços, Pedro.

Marcos Satoru Kawanami disse...

Marisa me lembra uma testemunha de Jeová, muito porraloca; a própria crente do rabo quente: rompeu o tendão da minha língua, e contribuiu positivamente para minha evolução espiritual, pois foi depois dela que eu me crismei Católico aos 32 anos de idade; evitando romper outras partes do meu corpo.
Uma amiga diz que Marisa tem dupla personalidade, a beata e a literata, foi esta última que eu conheci melhor pelo nome de Miss Bellman, a qual dediquei este soneto em alexandrinos:


Má de Marisa

Minha querida, fria e calculista Má,
agora sei que nunca amaste em tua vida;
de minha boca tu te apossaste fingida
sem, contudo, me amar jamais. E agora estás

satisfeita com o cio gozado, lá
no claustro do aconchego em que mais sucumbida
deliras nos lençóis já estando adormecida,
escrava do onanismo onírico. E eu cá

escravo de um poema amoroso e amargoso(?),
contraditoriamente anseio a imprecisa
impavidez da Lua e do Sol caloroso.

Diz a Lua que a Má me usou, foi poetisa;
contudo, o Sol é mais humano e generoso:
—O mundo endureceu tua frágil Marisa...

Marcos Satoru Kawanami

Me Chame de Linda disse...

Adorei o blog! Quando tiver um tempinho, visite o meu também! http://blogspot.com