sexta-feira, 24 de abril de 2009

teorias (des) significadas



Eu e a Karen batíamos o maior papo furado sobre o amor, a vida, sobre a liberdade, sobre minha intolerância com relacionamentos e o sonho que ela alimenta de ser uma noiva vestida de branco. Era um papo assim, despretensioso, mas que expunha toda a nossa (in)definição sobre o que queremos. Tá, mais minha do que dela. Mas que fique claro: a indefinição não está só no significado, está, principalmente, no significante.
É o seguinte: eu não sei dizer o que quero. Quero liberdade, mas, ao mesmo tempo, não quero estar à toa na vida pra ver a banda passar contando coisa de amor dos outros. Eu quero todo o amor que me aparecer, em todas as suas representações, mas não dividiria meu homem com outra, nem me dividiria entre eles, por exemplo. Por isso, às vezes, parece que é liberdade sem ser liberdade. Fico confusa, imaginem como ficou a Karen.
Ela logo soltou:
- Ah, mas você não tem vontade de ter alguém pra sempre, amar uma pessoa e viver com ela?
- Sim, mas não é isso. É que eu quero isso e os outros...
- Amor liberal?
- Não, um de cada vez.
- Mas então não é pra sempre!
- É, não, não é.
- Então explica.
- É e não é. Assim: quero viver com alguém, mas quero que termine logo que acabe. Não gostaria de saturar algo, entende?
- E daí viver outro?
- Isso!
- Isso é legal. Bem legal, aliás.
- Eu prefiro pensar que quando estamos com alguém, existe troca de amor: eu dou o meu pra ele, e ele dá o dele pra mim. Tem lógica, não tem?
- Parece que sim.
- É, mas quando ele decide dar o amor pra outra, não vejo a mesma lógica em exigir que ele continue me dando o que dava e oferecendo o meu, se ele já vai ter o da outra.
- Ahm... estranho.
- Então, nesse ponto eu acho que quando já se viveu tudo o que tinha pra viver de uma história, é porque tá na hora de viver outra.
- Simples assim?
- É! Por isso que a gente sofre quando acaba, por ficarmos insistindo que a pessoa não leve o amor dela com ela.
- Ahm...
- Sem falar que eu sofro demais na dúvida. Preciso saber. Então, não consigo deixar que as coisas passem por mim sem ter a experiência delas, sabe?
- Percebo.
- Sei lá se é assim também. Sei lá, sei lá. Nunca estudei pra saber isso.
- Nem eu.
- Ah, então vamos parar de falar do que a gente não sabe. Prefiro tomar cerveja.
- É, das marcas delas eu entendo. E vamos falar de política agora.
- Rá!
.
.
Samantha Abreu

19 comentários:

Rodrigo Carreiro disse...

Vocês são muito complicadas. O diálogo do homem seria:
- viado, tô confuso
- digaí mermão
- eu tô a fim de uma mulher, mas quero também as outras. Sei lá, quero estar com uma, mas quando terminar ir logo pra outra, saca?
- claro. bora no brega depois do jogo do timão
- fechou.

hehehehe
;p

D'angelo disse...

indefinição não está só no significado, está, principalmente, no significante.
Pura semiótica..hehehe

Mandy disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mandy disse...

Duvidas da vida que assolam as mentes femininas, é engraçado quando nos deparamos com ela, no final ainda continuamos confusas.[:D]
Massa o texto^^

Paulo Bono disse...

O Carreiro é um sábio.
Pq isso que essa mulher quer é a coisa mais natural do mundo. E veja o quanto ela está pensando.

abraço

bossa_velha disse...

sempre me envolvo muito com o que você escreve... é impossível não ficar alegre ou não ter vontade de ler até o fim, haha.

fale com ela disse...

:)

Helen Viana disse...

Nossa, texto tipo meu, na mesma conversa com a karen ontem..

Que siniiiiistro

Solin disse...

hahahaha
política?

pra mim teve bastante sentido tudo que Eu disse.

Manoel Soares Magalhães disse...

Parabéns, guria! Blog genial! Texto como gosto, corrosivo, irônico... Ganhou um fã!

pimenta disse...

Não fica confusa!O que você quer é um relacionamento autêntico, justo e verdadeiro!Daqueles que quando acaba,acabou!Sem dramas,só não está valendo mais!
Bjo

pontorouge disse...

rs!

Se quiser me fazer uma visita, ficarei muito feliz!
pontorouge.blogspot.com

Júlia disse...

aaaah, que texto divino!

Fernando R. Silva disse...

Cara, que viagem. Samantha, preciso conversar contigo a respeito disso. Um viés de ficção um tanto extremista e maravilhoso.

Sunflower disse...

Meu cérebro, nesse ponto, é masculino.

beijas

Flor de Liz disse...

CARACA! é primeira vez que eu vejo alguém explicar, transcrever, dizer aquilo o que sempre me foi difícil detalhar! Quero ser do mundo, quero que o mundo seja meu.. mas enquanto for 'a gente' quero que seja só 'a gente'... Agora quando o nosso pra sempre acabar, aquela coisa de 'foi eterno enquanto durou', eu quero tudo o que foi dado de mim de volta... quero meu sentimento aqui, comigo, quase como se não tivesse sido tocado.. mas quero levar comigo aquilo o que me foi dado.. chega a ser egoismo, talvez... talvez... mas é só uma vontade que no fundo a maioria tem, mas não assume! É aquela sede e ao mesmo tempo aquele medo... do nós quero o que é meu... não quero que parte 'eu' seja levado embora quando o eterno e o amor partitem... mas quero levar comigo aquilo o que me foi acrescentado... não só por recordação, mas como aprendizado... o meu de volta eu quero não por não querer dividí-lo, mas porque pra ser livre eu preciso estar inteira.. e isso é tão difícil de explicar.. sou sua, agora.. mas pra ser do outro eu preciso ser a inteira que com vc deixei de ser só pra permitir ser a metade que te deixava ser a outra metade...

será que eu te entendi errado? e no fundo, entendendo ou não desabafei por acaso... gostei muito dos seus textos, dos seus jeitos! passa lá no meu canto depois que eu fico feliz!

Vanessa Raiol disse...

A mente humana é complicada mesmo, rs, não gosto de acreditar em amor pra vida toda nem alma gemea,gosto de acreditar que as pessoas devem ficar na nossa vida enquanto elas e nós tivermos o que acrescentar.

somebody disse...

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Fernanda Melliz disse...

Sá... Vc é foda!!!
Muita saudade.