domingo, 18 de janeiro de 2009

Amor à Prova de Bafos

foto de Ellen von Unwerth
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Eu, a namorada, era a única na minha família que gostava dele. Isso bastaria, se não fosse o caso de eu pertencer a uma corja de loucos passionais.
Três anos de namoro, eu apaixonada, ele também. Eu jamais duvidei do amor que ele sentia, porque, cá entre nós, pra agüentar os escândalos e exageros da minha família tinha que me amar demais da conta.
Minha mãe já tinha feito horrores como me obrigar a limpar a casa com o Valdomiro lá: eu não sabia se limpava mal feito pra não me sujar toda, ou se limpava bem feito pra ele não pensar que eu era porca, mas, em compensação, ficava parecendo uma marmota descabelada.
Meu pai já tinha seguido a gente e parado o carro do Valdomiro achando que entraríamos no motel. Eu fiquei roxa! E o velho gritava “não brinca com minha filha, não, seu moleque!”.
Minha avó passava horas tentando converter o Valdomiro e leva-lo à Igreja com ela, pois só assim seria aceito na família. Mal sabia ela que Valdomiro já era um santo!

A gota d’água foi quando a família do Valdomiro me chamou pra um churrasco e, quando cheguei lá, ele me pediu em casamento. O que, pra mim, deveria ser motivo de alegria, se transformou na situação mais constrangedora de todas.
Liguei pra casa e contei à minha irmã – a única em quem eu confiava, pois sofria as mesmas penas que eu. Vinte minutos depois, a corja aparece na casa do Valdomiro, só faltando um megafone e um giroflex.
Minha avó, que tantas vezes se fazia de surda, tinha ouvido toda a conversa na extensão do telefone. Velha filha de uma santa!
Meu pai gritava: “filha minha não casa desse jeito, mexer com minha filha é mexer com um barril de pólvora!”.
Minha avó falava coisas sem sentido, com o terço na mão.
Minha mãe, chorando desesperada, desmaiou.
Nessa hora, eu não tive escolha: saí correndo. Corri uns dois quarteirões, morrendo de vergonha. Quando olhei pra trás, a ‘quase morta’ estava correndo atrás de mim! Ela tinha fingido um desmaio pra dramatizar a coisa. Foi aí que entendi porque nunca gostei de Shakespeare.
Fiquei uma semana trancada no quarto, procurando um buraco pra enfiar minha cabeça.

Sim, hoje sou casada com o Valdomiro.
Mas em todas as festas da família dele, sou motivo de chacota. Não agüento mais. Cada vez que contam a história, incrementam os fatos, dão emoções adicionais ao falso desmaio da minha mãe que, ao me ver correndo, levantou e correu atrás, e das barbaridades que minha avó, caquética, falava com o terço na mão.
Já nas festas da minha família, o tomento é outro: Valdomiro mal pode encostar em mim. Quando o assunto é filho, meu pai não me deixa falar, diz que não pode imaginar a filha tendo relações. E minha mãe reclama que ninguém mais a ajuda nas tarefas da casa.
Sabem de uma coisa? Valdomiro me ama, acreditem.
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Samantha Abreu

22 comentários:

tavinhopaes disse...

GOLAÇO, MANA!

Alexsandro Oliveira Santos disse...

amei o toque de Shakespeare.

Paulo Castro disse...

sim, mexer com vc é o mesmo que com um barril de pólvora......rs.....recomendo uma comédia italiana ótima, que teu conto me fez lembrar "Parente é Serpente"......e sim, o Val te ama, que homem, que colosso !!!
BeIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIjos.
º

Sílvia Câmara disse...

Você se superou com essa, Sa.
O amor é lindo, mas é cego , surdo e mudo quando lhe é conveniente. rsrsrsrsrsrsrsrsrs

juji disse...

Acho que encontrei meu Valdomiro! Beijos e boa semana.

Paulo Bono disse...

louco, engraçado, no ponto.
você é foda, samantha.

abração

ju e lu [e vice-versa] disse...

risos...
até quase no final, eu tava pronta pra lançar algum disparate sobre relacionamentos e destruição...

mas diante da conclusão:

sabe de uma coisa. vc tá certa!

ju mancin

disse...

Hahahahahaha. E alguém é capaz de duvidar que esse amor é de verdade?

.Carmim. disse...

Olá!

Você conhece o livro "Mulheres que Correm com os Lobos"?

Me interessei muito por ele logo que comecei a ler suas primeiras páginas. E desde lá tenho procurado fóruns para trocar opiniões, porém não encontrei nada.

Então fiz um blog para que nós, mulheres, possamos ter a oportunidade de compartilhar nossas idéias a respeito dos contos deste fantástico livro!

Se quiser conferir:
lobasquecorrem.blogspot.com

Um abraço!

Sunflower disse...

Me conta, você veio passar o natal com a minha família, não foi???


beijaaaas

Tatsu disse...

Valdomiro é feliz e não sabe... ;)

D'angelo disse...

Ow me arruma um Valdomiro desses?

rogerio santos disse...

mas que ótimo....
rs

Solin disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
sei q dizer não.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Rackel disse...

Valdomiro, Valdomiro...
rsrs

Fernando disse...

HAHAHAHAH.. Não consigo parar de rir.. hehehehhe
Muito bom!!! Gostei do final, o que importa é estar bem com quem a gente ama!
bjo sahh!

minicontosperversos disse...

Já deve ter lido umas 235 vezes que vc escreve bem. Os temos são ótimos e escritos como quem os viveu. Maravilha.

Só pra explicar pra este tosco aqui, o "bafo"do caso é de bafon? Barraco?

Obrigado mpelos momentos legais de leitura e inspiração, ok?

Mulher Objeto disse...

Nossa, família ás vezes é uma merda. Aminha tb se enfiava no meu namoro e minha mãe tb me deu vários traumas. Tanto que hoje sou casada há dois anos e ela mal fala com meu marido, por que eu agora mantenho as distâncias territoriais bem definidas...

pimenta disse...

HAHAHAHA,é ele te ama!E eu já começei a gostar também de você,hahahahaha.

Fernando R. Silva disse...

Já passei por isso. Em verdade, hoje, quando vejo que um cara casou com a dita-cuja a qual eu estive na posição de Valdomiro um bom tempo, só penso que ele não é marido. É herói.

Mag disse...

uahauahauah... diversão garantida você. Salvei o endereço. Vou voltar com mais calma.

somebody disse...

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