sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Descontrolando o Facebook!

A série MULHERES SOB DESCONTROLE é escrita por Samantha Abreu e narra a loucura feminina contra a moral e os bons costumes.
 
Agora, a série ganhou uma página no Facebook!

É só entrar lá , curtir e sair da seriedade vez enquando.

São monólogos e crises de mulheres comuns, complexadas, debochadas, paranóicas, engraçadas e to-tal-men-te descontroladas.
Ah, e também vale indicar praqueles mal humorados que você conhece!

https://www.facebook.com/MulheressobDescontrole

domingo, 28 de agosto de 2011

Posições de UFC


- Ô Katia, você não percebe que...
- Ai, Regina, eles só vão ao cinema juntos. E o que é que tem?
- Você tem forte tendência à ingenuidade cega, menina. Já te disseram isso?
- Não, isso não... já me disseram que sou burra.
- Quase a mesma coisa, né Kátia?
- Regina, uma vez me disseram que o Laércio tava namorando uma garota do escritório. Uma calúnia absurda. Nem comentei com ele porque ele fica muito nervoso quando falo disso, quando duvido da fidelidade dele.
- E o que você fez?
- Nada. Ignoro essas fofocas. Ele é um homem de bons relacionamentos e muito simpático com os amigos que tem.
- E daí, Regina? Bem se vê. Um homem casado levando amiga no cinema.
- Você tá duvidando do meu marido, Regina?
- Não, Kátia, não tenho do que duvidar. Eu só consigo acreditar.
- Por isso que você está solteirona, Regina, é muito possessiva com os homens.
- Não aceito safadeza, Kátia, só isso.
- E você acha que homem que estiver com você não vai ter amigas por aí.
- Amigas por aí é uma coisa, levá-las ao cinema é outra.
- Mas o Laércio traz as meninas até aqui em casa! O que tem demais?
- Traz aqui?
- Sim, a última, uma garota muito simpática, dormiu aqui. Foi nesse fim de semana. Só foi embora hoje depois do almoço.
- E você?
- Sabe, dessa eu até desconfiei... acordei uma hora no meio da madrugada e o Laércio não estava na cama. Fui de mansinho e vi os dois atracados no chão da sala!
- Eu não disse, Kátia?
- Não era nada disso, Regina. Eu levei um baita susto e acendi a luz.
- E o que ele te disse?
- Ué, que estavam assistindo e brincando do tal UFC!


Samantha Abreu
foto de ellen von unwerth

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Descontrolando Rabitts



- Que cara é essa, Adelaide, em plena páscoa?
- Ah, Marilda... uma porra.
- Feriadão, menina! Parece até que ganhou ovo quebrado!
- Sabe, não sirvo pra ter relacionamento com homem algum mais não, viu Marilda. Passei da idade e percebi isso agora.
- Ih, o que foi dessa vez? O Rui não te deu chocolate?
- O Rui não me deu foi nada.
- Nem os ovos? Hahahaahaa.
- Tô com cara de quem quer ouvir piadinha, Marilda?
- Credo! Conta o que ele fez.
- Eu simplesmente não entendo essa modernidade entre nós, as solteiras, que nos dá impressão de estar num relacionamento normal, mas não podemos dizer que é.
- Hum... te entendo, amiga. O Jordão faz a mesma coisa. Pedi um ovo número 23 e ele disse que ainda não somos namorados pra me dar algo tão caro.
- Argh!
- Vê se pode?! Além de não me assumir, ainda fica com pãodurice!
- Pois é, Marilda, mas eu estava falando de mim e do Rui.
- Ai, desculpa. Fala aí.
- Eu acreditei que estava tudo bacana entre nós e tive várias idéias pra esse feriadão.
- Sexo com chocolate? Olha, já tentei uma vez e vou te dizer que nã...
- Cale a boca e me ouça, Marilda!
- Hum.
- Eu queria enfeitar um ninho pro coelho, comprar os ovos e brincar com essa fantasia que faz parte das lembranças infantis de todas as pessoas...
- Mas sem sexo, Adelaide?
- É, ué!
- Não dá certo com homem não, Adelaide, porra.
- Agora eu sei, Marilda. E foi frustrante.
- Não me diga que você fez o papelão de botar uma fantasia de coel...
- Não! Eu só falei pra ele que queria fazer algumas surpresas para a páscoa e que precisava comprar cenouras para o coelho.
- Cenouras?
- É. Nessa hora, o Rui meteu a mão lá... sabe, lá?
- No pau?
- E veio pra cima de mim fazendo voz de tarado: “A cenoura do coelho aqui óóóóó!”.


Samantha Abreu

domingo, 30 de janeiro de 2011

Festa doida com gente enlouquecida


- Festa estranha essa aqui, hein Carol?
- É só um samba, Darlene, calma...
- Samba tocando Madonna, Carol? Olha lá... a galera fritando na Madonna!
- Calma, meu. Daqui a pouco começa.
- Já começou... olha aquelas duas ali se beijando horrores.
- Aham.
- E agora um cara junto com as duas, Carol!
- Ô Darlene, pô... se você for ficar narrando a festa toda pra mim, eu poderia ter ficado em casa falando com você pelo celular. Pára com isso!
- Eu sou careta e religiosa, você sabe.
- Sei, sei sim. Mas na hora de meter o pé na jaca quando você está a fim, ninguém se lembra disso.
- Jamais! Você é uma doida.
- Ah, vá! Olha uma galera bacana ali, vamos lá falar com eles. – E aí, moçada? Qual a dessa festa aqui?
- Dançar, querida. Vamos pra pista!
- Carol, só tem gay aqui nessa festa.
- Já te disse pra parar com isso, Darlene.
- Ah, bonitona... então quero ver você pegar um homem nessa festa. Não é você a pegadora?
- Aguenta aí que você vai ver daqui e pouco. Hummm... um gato ali.


- Onde você tava, Darlene? Tô te procurando faz mais de uma hora!
- Puta da vida... tava dançando ali com uma galera, mas começaram a arrancar peças de roupa, Carol... todo mundo!
- Tirar a roupa? E você tirou?
- Só o sutiã!
- E você está sem sutiã agora? Com essa blusa larga?
- Você acha que estou de braços cruzados por quê, sua imbecil?
- Putz! Vamos lá no banheiro e você coloca de novo.
- Não dá. Um cara muito louco o vestiu na cabeça e saiu por aí. Não encontro mais!
- Hahahahahaaa!
- Pára de rir, maldita. E você, onde estava?
- No quarto.
- Juuuuura, Carol? Com quem?
- Aquele gato ali, tá vendo?
- Minha nossa! Você é foda mesmo, amiga!
- Não, Darlene. Dessa vez foi uma não-foda.
- Hã?
- Quando a gente estava lá no quarto, na pegação total, entrou outro cara e os dois começaram a se pegar também.
- E você, o que você fez?
- Nada, ué.
- Nada? Mas já tá liberal assim, Carol?
- Não! Não fiz nada mesmo... eles pediram que eu saísse, pois queriam ficar sozinhos. Disseram que eu estava atrapalhando parada ali. Aí eu saí com o rabinho no meio das pernas.
- Hahahahahaaaa... festa boa, hein Carol!
- Vambora daqui, Darlene, porra!



Samantha Abreu
foto de ellen von unwerth

sábado, 15 de janeiro de 2011

Nosso Lançamento!

Queridos,

nesta terça, 18 de janeiro, Eu e Beatriz Bajo lançaremos nossos livros.

Abaixo está o convite pra você.
E te esperamos lá com todos os beijos e abraços que você merece.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Fantasias para quando vier a chuva

Queridos, está aí o meu rebento!
Nasceu neste último dia, fechando 2010 com chave de ouro.
Em breve trago notícias sobre as datas das noites de lançamento. E eu adoraria receber todos os possíveis e impossíveis.

Fantasias para quando vier a chuva
Prefácio de Tavinho Paes
Apresentação e revisão de Beatriz Bajo

Para comprar:
o livro ainda não está no site da editora, por isso, caso você queira recebê-lo autografado, mande um e- mail para: sa.d.abreu@hotmail.com
Preço: R$32,00 com frete incluso.


Samantha Abreu
Câmera na Chuva, parte do prefácio de Tavinho Paes.

"Samantha Abreu é uma câmera fotográfica de lente sensível que em todos os dias que Deus lhe dá sai pela cidade que ela conhece: sua poesia tem o tempo que anda naquelas ruas, faça sol ou... chuva!
Dizem as lendas dos que estão com o pé na cova e saudade do defunto que a tinta com que ela escreve seus poemas é feita com pingos de chuva. É por isso que faz divas surgirem de um lapso de memória como quem abre um guarda-chuva para quem tem medo de relâmpago e trovoada.
Ela chove poesia quando precisa de um banho. Tem aquela vírgula feminina que só quem tem XXX no DNA entende e avalia o quanto lhe custou cada verso escrito. Todos na base de talento e paixão, escrevendo com os pingos de chuva antes que caiam no chão.
(...)"

domingo, 19 de dezembro de 2010

Um Puta Natal!

foto de ellen von unwerth

Era fantasia de Papai Noel. Quando cheguei, já me disseram logo que queriam um homem.
- Amigo, olha o meu tamanho! Que diferença vai fazer?
- Sei não, moça. A gente quer homem mesmo.
Fiquei possuída de raiva. Esse machismo declarado me irrita de tal forma que sinto vontade de cortar o pau do filho da puta, só pra ele sentir como é bom ser mulher.
Sorrio: - Obrigada, querido.

Saí pela porta poderosa, como se eu esfregasse na cara deles: “estão perdendo uma puta profissional”. Sem ambiguidades, por favor. Poupem-me de piadinhas numa hora dessas.
Andei a tarde toda por aqueles corredores insuportáveis do shopping. Você já conseguiu imaginar um lugar mais terrível do que este no Natal? Já? Duvido!
Eu não sei dizer com exatidão, mas devo ter distribuído uns dez currículos. E tudo o que eu queria era uma droguinha de emprego de final de ano pra poder comprar um presente pro Carlão. Além do natal, a gente ia fazer um ano de namoro. O Carlão já tinha dado bandeira de que me compraria algo, e eu tava mais dura que pau de tarado.
Andei tanto que enchi os pés de bolhas. Mas só de pirraça (e eu também não tinha lá grandes alternativas), voltei aos machistas. Quando entrei, já percebi as risadinhas de canto.
- Esqueceu algo, moça?
- Não. Olha só... eu pensei e acho que daria muito certo esse emprego aí pra mim.
- A gente acha que não.
- Querem pagar pra ver?
- Pagar não. De graça, até podemos.
- Então passa a fantasia pra cá.
Vesti com facilidade. Eu também não estava assim estrondosamente gorda, mas deu pra parecer um maldito Papai Noel identicamente.
- ho ho ho!
- Ih! Voz muito fina... não dá, não.
- Hoo Hoo Hoo!
- humm...
- HOO! HO HOOO!
- Melhorou bem. Pega no saco aqui, santa claus.
Caralho, ter que aguentar um homem quando se depende dele é a coisa mais humilhante e decadente pela qual uma mulher pode passar. Muito pior do que manchar a calça de sangue numa festa cheia de homens bonitos ou cair um tombo em frente ao cara que te esnobou a vida toda.
- E aí, rola? Tô precisando da grana.
- Não parece... tá bem alimentada, tá bem vestida...
- Restaurante de 1 real e roupa emprestada. E se não comprar um presente, o Carlão vai me largar.
- Ah, aí vai ser difícil mesmo você arrumar outro, hein, colega. Bem difícil!
Pensei em matá-lo, mas eu perderia o emprego para o qual ainda precisava ser contratada.
- Pois é – uma risadinha marota mudando de assunto: - E então?
- Rola sim, princesa. Mas vai ter que usar o 'Ho Ho' grosso. Bem grosso.

Eu tava, finalmente, empregada. E disfarçada. Inventei uma históroa qualquer de emprego por Carlão e tudo certo.
Mas no segundo dia de inferno, enquanto eu tolerava aquele shopping cheio de gente desocupada e aquele mundarel de crianças arruaceiras pendurando em mim e me roubando balas com seus gritinhos ensurdecedores, vejo Carlão passeando com uma loira magrela, peituda e de cabelo chapado. Não teve primeiro momento porque não pensei duas vezes: empurrei as crianças – me disseram depois que uma delas bateu a cabeça e até levou uns pontos – e saí correndo pra cima dos dois.
Ataquei primeiro a mocréia. E ela gritava: 'Tarado! Seu velho tarado!'. Carlão me segurou e quase me mandou um soco na cara, quando gritei e ele percebeu que aquele Noel era estranho. Ou nada estranho, aliás. Joguei todas as balas na cara dele, xinguei palavrões que eu nem sabia que conhecia e saí correndo descabelada, de roupa rasgada, com a barba descolando e toda suada pelo shopping.
Crianças me encaravam horrorizadas e alguns adultos riam.

Caralho de natal... e ainda vêm me desejar coisas boas!


Samantha Abreu